Estamos no último dia da campanha para o Referendo sobre a IGV e vem a propósito recordar o poema de Natália Correia, quando, em 3 de Abril de 1982, se discutia na Assembleia da República a legalização do aborto e o deputado do CDS João Morgado, “lembrou” que «O acto sexual é para ter filhos»:
Já que o coito – diz Morgado –
Tem como fim cristalino,
Preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
E cada vez que o varão
Sexual petisco manduca,
Temos na procriação
Prova de que houve truca-truca.
Sendo pai de um só rebento,
Lógica é a conclusão
De que o viril instrumento
Só usou – parca ração! –
Uma vez. E se a função
Faz o órgão – diz o ditado –
Consumada essa excepção,
Ficou capado o Morgado.
Natália Correia
Publicado por dizerbem em fevereiro 9, 2007 03:00 PM | TrackBack